Dizem que o blog é o mais barato psicólogo/psiquiatra de todos. Sendo assim, irei fazer uso deste serviço. Pois se não fizer isso, com certeza irei explodir. Sim, porque o que eu vou dizer não é novidade para ninguém que mora ou conhece Belém do Pará, a porra da cidade das mangueiras que consegue a cada dia destruir ainda mais a paciência e calma daqueles que ousam trafegar pelas ruas, sendo personagem de um videogame que não tem "save" e nem infinitas vidas a partir de um macete qualquer.
E se caótico por si só já é de fazer o condutor arrancar os próprios cabelos, ou ter um AVC, mais revoltante é o que a população dessa cidade - que não é feia - consegue fazer para piorar ainda mais. Para quem não conhece Belém, tenha certeza, isso é sério. Quem em sã consciência acharia normal fazer uma romaria por um dos lugares mais movimentados da capital do Estado, em horário de rush, onde normalmente o engarrafamento já é uma constante?
Não, não estou falando do Círio de Nazaré, que é em um domingo e que por já existir há séculos, não causa o estrago que estou falando, já que todos os habitantes já esperam por ele. Estou falando das romarias de bairro, que acham que podem fechar ruas para desfilar suas velas e cantorias de funeral com alguma criança fantasiada de anjo (ou seria de capeta?). Belém não é mais uma cidade interiorana, mas age como tal. Quer fazer uma homenagem ao santo? Vai pra missa todo domingo, mata um carneiro, reúne em casa, mas não cagaliza com o trânsito.
Mas quem dera se fosse só isso né? Seria apenas algumas vezes por ano e com um pouco de organização o caos seria evitável. Agora como esperar organização no trânsito se o vagabundo órgão fiscalizador e seus "aviõezinhos" não se mexem?
Um exemplo? Em Belém fila dupla é algo tão normal que eu tenho a sensação de que muitos motoristas acreditam que basta ligar o alerta que o veículo se torna transparente, penetrável por qualquer coisa, entra em outra dimensão ou sei lá o que. Então pergunta se o corno do guarda de trânsito faz alguma coisa. Se diversos automóveis estão em fila dupla, tampando a visão de quem está a 60km/h numa Avenida Duque de Caxias, por exemplo, onde existem faixas cidadãs (que inventou isso?), o que o guarda prefere fazer? Ficar quieto embaixo da árvore e multar que, sem ter visão do pedestre querendo atravessar, passa direto na faixa, ou obriga os demais motoristas a saírem do meio da rua e organizar o trânsito?
Depois de hoje eu digo que com certeza ele multa quem passa direto. Não sei se ele consegue perceber que a situação impede do motorista parar a tempo o carro, pois quando se vê o pedestre, você já está em cima e frear com rapidez é pedir para ser atingido pelo veículo que vem atrás. Não sei se ele tentou tirar os outros carros que estão em fila dupla. O que eu sei é que ele vai multar quem passou direto e os demais carros vão continuar ali enquanto o "momento permitir" (seja numa romaria, horário de saída de escola, ou sei lá o que).
Isso sem contar os motoqueiros (sim, nada de motociclista, mas motoqueiros mesmo). Isso sem contar as ruas escuras, esburacadas e sem sinalização. Isso sem contar os caminhões que trafegam pelo meio da cidade e atravessam as ruas tampando a passagem. Isso sem contar os ônibus que acham que as faixas 3 e 4 da Almirante Barroso são exclusivas deles, quando na verdade é o contrário, as 1 e 2 que são exclusivas de carros e que eles são obrigado a trafegarem apenas na 3 e 4, mas carros também pode rodar por ali.
Enfim... as vezes eu fico com a sensação de que é melhor ir para o trabalho de ônibus, mesmo que eu vá em pé e no aperto, porque dirigir em Belém está cada vez mais difícil, é um jogo em nível hard.
852 – Criações
10 horas atrás

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